Em um cenário de a taxa Selic em 15% ao ano, entender como os juros atuam na economia é essencial para tomar decisões conscientes. Nesta análise, vamos explorar desde a definição da Selic até estratégias práticas para proteger seu orçamento familiar e empresarial.
A Comitê de Política Monetária do Banco Central define a Selic como a principal referência para o custo do dinheiro na economia brasileira. Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, reduzir o consumo e a demanda, freando a inflação. Ao cair, ela consegue estimular o crescimento econômico ao baratear financiamentos e empréstimos.
Desde junho de 2025, o Banco Central manteve a taxa Selic em 15% ao ano pelo quarto mês consecutivo. Esse patamar não era atingido há quase duas décadas, refletindo a preocupação com a inflação e a necessidade de uma expectativa de inflação IPCA de 4,06% nos próximos 12 meses.
Taxas elevadas provocam freios em investimentos, aumento do Custo Brasil e perda de competitividade. Pesquisa recente mostra que há grande disposição para retomar projetos produtivos caso o juro seja reduzido significativamente.
O resultado desse patamar se reflete em dados do IBGE: produção industrial recuou 0,4% entre agosto e setembro de 2025 e a atividade econômica caiu 0,2% em setembro no comparativo mensal.
Para quem precisa de crédito, o aperto é ainda mais severo. Juros altos elevam o custo de cartões, financiamentos de veículos e imóveis, limitando o acesso de muitas famílias ao sonho da moradia própria.
Atualmente, nível de endividamento das famílias em 80% e uma inadimplência atingiu 30,4% em dados recentes mostram a fragilidade do orçamento diante da elevação das taxas. O crédito imobiliário, por exemplo, já excluiu retirada de 800 mil famílias do mercado nos últimos cinco anos.
Empresas de todos os portes sentem o peso dos juros altos. O serviço da dívida sobe, as despesas financeiras corroem lucros e o acesso a novos financiamentos fica cada vez mais restrito.
No setor de bens duráveis, como automotivo e eletroeletrônicos, indústrias preservam caixa e adiam expansões, ampliando o ciclo de retração econômico.
Quando a Selic está elevada, o custo de empréstimos de longo e curto prazo aumenta. Isso afeta financiamentos de imóveis, veículos e linhas de crédito pessoal, pressionando o orçamento familiar.
Por outro lado, produtos de renda fixa, como o Tesouro Selic, oferecem remuneração mais atrativa. No entanto, a Bolsa costuma recuar, já que a perspectiva de menor crescimento desestimula investidores de risco.
Ao controlar a inflação, que em novembro de 2025 registrou 0,18% no mês e manteve o acumulado em 12 meses abaixo do teto, o Banco Central busca garantir estabilidade de preços e poder de compra no longo prazo.
Rafael Alban, da CNI, alerta que a Selic em 15% é um duro golpe para a competitividade das indústrias. Ieda Vasconcelos, da CBIC, reforça que cada 1 p.p. elimina 160 mil famílias do crédito imobiliário.
Segundo Citi, a tendência de cortes de juros em 2026 existe, mas dificilmente a Selic cairá projeções indicam Selic não caindo abaixo de 10%. Douglas Elmauer, da Mackenzie, ressalta a compressão da demanda e o adiamento de grandes investimentos.
Com planejamento e informação, você pode minimizar os efeitos adversos dos juros altos e ainda aproveitar oportunidades de investimento. Manter-se atualizado sobre as decisões do Copom e as projeções de mercado é fundamental.
Em um ambiente econômico desafiador, ter disciplina financeira e buscar fontes seguras de renda torna-se uma estratégia essencial para preservar o poder de compra e garantir maior tranquilidade no futuro.
Referências