Desinvestir pode ser uma das decisões mais transformadoras para o futuro de uma organização ou de um portfólio de investimentos. Saber quando e como dizer adeus exige visão estratégica, coragem e disciplina.
Desinvestimento é a alienação total ou parcial de um ativo, negócio ou posição de investimento, com objetivo de realocar capital, reduzir risco ou encerrar exposição a determinado setor. No Brasil e em Portugal, esse tema ganhou força nos últimos anos.
A pandemia de Covid-19 acelerou a pressão para fortalecer o caixa e concentrar esforços no core business. Alterações geopolíticas, como o Brexit, e as agendas ESG também impulsionaram empresas e investidores a repensar cadeias de suprimentos e níveis de exposição.
O mercado de private equity, com níveis recordes de liquidez, criou um ambiente pró-divestment, oferecendo compradores ávidos por ativos que deixam de ser estratégicos.
Identificar o momento certo de desinvestir requer monitoramento contínuo de indicadores e alinhamento ao planejamento estratégico. Entre os gatilhos mais comuns estão:
Esses gatilhos podem ocorrer isoladamente ou em combinação, acelerando a necessidade de ação.
O desinvestimento assume formatos diversos, dependendo do contexto corporativo, financeiro ou ético. Conhecer cada modelo permite escolher a melhor abordagem.
Confira abaixo um comparativo simplificado:
Para garantir resultados, siga uma metodologia estruturada. Baseada em práticas de consultorias como EY e Grant Thornton, sugerimos este roteiro:
Além dessas etapas, é crucial gerenciar riscos de comunicação, proteger ativos intelectuais e manter o engajamento de stakeholders internos e externos.
No Brasil, a Ambev se desfez de negócios de menor rentabilidade para focar em marcas premium e inovação. Em Portugal, grandes bancos realizaram carve-outs de serviços não-core, otimizando a operação principal.
No mundo das startups, casos de trade sale bem-sucedidos, como a aquisição da 99 pela DiDi, mostram que uma saída planejada pode gerar retorno expressivo para investidores e empreendedores.
Já as campanhas de desinvestimento em combustíveis fósseis, lideradas por universidades e fundos soberanos, demonstram o poder da mobilização ética para impulsionar transição energética.
Dizer adeus a um ativo ou investimento pode ser doloroso, mas também abre portas para novas oportunidades e fortalece a resiliência financeira. Avalie critérios, siga um processo bem definido e mantenha foco na visão de longo prazo.
Ao planejar um desinvestimento, lembre-se de que cada adeus pavimenta o caminho para o próximo capítulo, mais alinhado com seus objetivos estratégicos, financeiros e éticos.
Referências