Em um momento em que o Brasil registra recordes de endividamento e inadimplência, surge um paradoxo de um país bancarizado sem preparo financeiro. Ensinar crianças e adolescentes a lidar com dinheiro é mais do que um diferencial: é uma necessidade urgente para evitar o colapso das finanças familiares.
No final de 2024, 76,7% das famílias brasileiras estavam endividadas, segundo dados da CNC, e 13% delas admitiam não ter condições de quitar suas dívidas – o maior índice desde 2010.
A situação se agrava quando se observa que 19,1% desses lares comprometem mais da metade da renda mensal com obrigações financeiras. Ao mesmo tempo, 72,4% vivem com algum grau de dificuldade para pagar as contas, conforme o IBGE.
Apesar de 55% dos brasileiros darem atenção ao controle financeiro, apenas 45% admitem ter conhecimento razoável sobre o tema. E mais: 72% dos pais não fazem qualquer tipo de poupança ou investimento destinado aos filhos.
As crianças de hoje crescem cercadas por aplicativos de pagamento, microtransações em jogos e facilidades de crédito digital. Sem uma base sólida, tornam-se vulneráveis a dívidas e golpes.
Levantamentos do Ibope indicam que apenas 21% dos brasileiros tiveram qualquer educação financeira até os 12 anos. A prevenção de dívidas e colapso familiar passa por desenvolver habilidades como planejamento e controle de gastos desde cedo.
Estudos mostram que jovens com educação financeira na infância planejam mais, poupam regularmente e têm menor propensão a assumir dívidas impagáveis na vida adulta. É aí que reside o poder de um legado consciente.
Os pais são os primeiros modelos de comportamento, mas nem sempre estão preparados. Pesquisa Serasa indica que 55% dos adultos sabem pouco ou nada sobre finanças, e 39% dão mesada aos filhos como única ferramenta de aprendizado.
Por outro lado, 68% dos pais acreditam que a escola deve complementar esse processo, e projetos como o Programa Aprender Valor do Banco Central já impactaram positivamente milhares de estudantes.
É fundamental que pais e educadores atuem de forma complementar: aprendizado prático e sistemático em casa e na escola constrói uma base duradoura.
Desenvolver hábitos saudáveis de dinheiro requer metodologias adaptadas a cada fase da infância e adolescência. A seguir, um guia resumido que pode servir de ponto de partida:
Além disso, considere estas dicas gerais:
Aplicar essas práticas de forma contínua e gradual fortalece a percepção de valor do dinheiro e constrói um futuro de escolhas conscientes.
Educar financeiramente as novas gerações vai além de ensinar a economizar: trata-se de oferecer ferramentas para que cada criança e adolescente assuma o próprio destino com confiança e segurança. O legado dos pais de hoje definirá o perfil financeiro de amanhã. Ao unir esforços entre família e escola, estaremos plantando as sementes de uma sociedade mais equilibrada e preparada para os desafios econômicos futuros.
Referências