O Brasil enfrenta um paradoxo: crescimento do crédito e alta inadimplência coexistem em meio a exclusão de parcelas vulneráveis.
Em maio de 2025, cerca de 75,7 milhões de adultos estavam inadimplentes, correspondendo a quase metade da população adulta brasileira.
A dívida média por inadimplente supera R$ 1.500, impulsionada por juros altos e dependência de crédito caro, como o rotativo do cartão e o cheque especial.
Segundo projeções do Banco Central, o crédito total deve crescer 8,5% em 2025, com 9,3% para famílias e 7,3% para empresas.
O FMI destaca que esse impulso vem da forte expansão de fintechs inovadoras e do aumento de renda, mas nem sempre beneficia quem mais precisa.
Em bases jurídicas e econômicas, o crédito possui instrumento de desenvolvimento econômico e redução de desigualdades.
Quando bem regulado, converte-se em emprego, consumo e realização de direitos sociais, como moradia e trabalho.
“Crédito social” no Brasil ganha três acepções principais:
Todas convergem para usar o crédito como ferramenta de inclusão financeira responsável e redução de desigualdades.
No âmbito rural, o Governo de Goiás criou o programa Crédito Social, que oferece inclusão produtiva para baixa renda via capacitação técnica e aporte de até R$ 5.000.
Produtores rurais com CadÚnico e renda de até meio salário mínimo participam de cursos em agricultura, pecuária e beneficiamento de alimentos.
Após a capacitação, recebem cartão para aquisição de insumos em lojas credenciadas, sendo monitorados pela Emater Goiás.
Outro exemplo é o Crédito Social da Cotec, voltado a egressos de cursos tecnológicos que recebem apoio financeiro para desenvolver negócios inovadores.
As fintechs trazem modelos de scoring baseados em big data, redes sociais e histórico de pagamentos alternativo.
Plataformas de microcrédito utilizam algoritmos para análise de perfis antes excluídos, ampliando acesso a crédito justo.
Essas iniciativas mostram como a avaliação alternativa de risco pode ser tão eficaz quanto métodos tradicionais, mas com maior inclusão.
Instrumentos como créditos sociais ligados a impacto financiam projetos de desenvolvimento sustentável, saúde e educação.
Sustainable Development Bonds ou Social Impact Bonds mobilizam investidores interessados em retorno financeiro aliado a resultados sociais mensuráveis.
Esses títulos permitem que instituições públicas e privadas compartilhem risco e impacto, alavancando recursos para a Agenda 2030.
Apesar do potencial, há desafios significativos:
É essencial uma agenda que combine regulação eficiente, educação financeira e incentivos a modelos inovadores.
Somente assim poderemos direcionar o dinamismo do crédito para promover condições de acesso ao crédito justo e consolidar a inclusão financeira para todos.
Referências