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Crédito Social: Inclusão Financeira para Todos

Crédito Social: Inclusão Financeira para Todos

12/11/2025 - 10:44
Bruno Anderson
Crédito Social: Inclusão Financeira para Todos

O Brasil enfrenta um paradoxo: crescimento do crédito e alta inadimplência coexistem em meio a exclusão de parcelas vulneráveis.

1. Contexto da exclusão e inclusão financeira

Em maio de 2025, cerca de 75,7 milhões de adultos estavam inadimplentes, correspondendo a quase metade da população adulta brasileira.

A dívida média por inadimplente supera R$ 1.500, impulsionada por juros altos e dependência de crédito caro, como o rotativo do cartão e o cheque especial.

Segundo projeções do Banco Central, o crédito total deve crescer 8,5% em 2025, com 9,3% para famílias e 7,3% para empresas.

O FMI destaca que esse impulso vem da forte expansão de fintechs inovadoras e do aumento de renda, mas nem sempre beneficia quem mais precisa.

2. Função social do crédito e conceito nacional

Em bases jurídicas e econômicas, o crédito possui instrumento de desenvolvimento econômico e redução de desigualdades.

Quando bem regulado, converte-se em emprego, consumo e realização de direitos sociais, como moradia e trabalho.

“Crédito social” no Brasil ganha três acepções principais:

  • Programas públicos de apoio produtivo a baixa renda, com capacitação e aporte financeiro;
  • Soluções privadas de avaliação alternativa de risco e inclusão de microempreendedores;
  • Instrumentos de finanças sociais e títulos de impacto associados à Agenda 2030.

Todas convergem para usar o crédito como ferramenta de inclusão financeira responsável e redução de desigualdades.

3. Programas públicos de Crédito Social

No âmbito rural, o Governo de Goiás criou o programa Crédito Social, que oferece inclusão produtiva para baixa renda via capacitação técnica e aporte de até R$ 5.000.

Produtores rurais com CadÚnico e renda de até meio salário mínimo participam de cursos em agricultura, pecuária e beneficiamento de alimentos.

Após a capacitação, recebem cartão para aquisição de insumos em lojas credenciadas, sendo monitorados pela Emater Goiás.

Outro exemplo é o Crédito Social da Cotec, voltado a egressos de cursos tecnológicos que recebem apoio financeiro para desenvolver negócios inovadores.

4. Inovação tecnológica e avaliação de risco

As fintechs trazem modelos de scoring baseados em big data, redes sociais e histórico de pagamentos alternativo.

Plataformas de microcrédito utilizam algoritmos para análise de perfis antes excluídos, ampliando acesso a crédito justo.

Essas iniciativas mostram como a avaliação alternativa de risco pode ser tão eficaz quanto métodos tradicionais, mas com maior inclusão.

5. Finanças sociais e títulos de impacto

Instrumentos como créditos sociais ligados a impacto financiam projetos de desenvolvimento sustentável, saúde e educação.

Sustainable Development Bonds ou Social Impact Bonds mobilizam investidores interessados em retorno financeiro aliado a resultados sociais mensuráveis.

Esses títulos permitem que instituições públicas e privadas compartilhem risco e impacto, alavancando recursos para a Agenda 2030.

6. Riscos, desafios e agenda de políticas públicas

Apesar do potencial, há desafios significativos:

  • Garantir condições compatíveis com proteção do consumidor em créditos de risco;
  • Prevenir discriminação algorítmica e vazamento de dados pessoais;
  • Equilibrar rentabilidade e inclusão, evitando o superendividamento.

É essencial uma agenda que combine regulação eficiente, educação financeira e incentivos a modelos inovadores.

Somente assim poderemos direcionar o dinamismo do crédito para promover condições de acesso ao crédito justo e consolidar a inclusão financeira para todos.

Bruno Anderson

Sobre o Autor: Bruno Anderson

Bruno Anderson