Em um país onde as mulheres empreendedoras representam forças vitais da economia, o acesso ao crédito surge como elemento transformador. Este artigo explora como a obtenção de recursos financeiros pode ser uma ferramenta poderosa de transformação social e trazer autonomia econômica e independência financeira para milhares de brasileiras.
Dados recentes indicam que mais de 10 milhões de mulheres empreendem no Brasil, sendo 70% delas mães. Apesar de um faturamento médio de cerca de R$ 2 mil mensais, muitas abrem negócios por necessidade e não por oportunidade. Em um cenário tão vibrante, o crédito se torna um ingrediente essencial para abrir portas, manter operações e fomentar o crescimento sustentável.
Além da abertura e expansão de negócios, o crédito também pode impulsionar a formalização e contribuir para a geração de empregos. Quando as empreendedoras têm acesso a capital de giro adequado, elas podem investir em estoque, tecnologia e treinamento de equipes, ampliando seu alcance no mercado.
As barreiras começam na diferença de custos: mulheres pagam juros médios mais altos, mesmo quando apresentam histórico de crédito similar ao dos homens.
Nesse quadro, estados como Ceará e Rio de Janeiro registram taxas acima de 58% ao ano para empreendedoras MEI, enquanto a média geral permanece abaixo de 48%. Além disso, embora respondam por quase 40% das operações, as mulheres recebem apenas 29,4% dos R$ 109 bilhões destinados a micro e pequenos negócios.
Esse descompasso entre participação nas operações e montante efetivamente concedido mostra que o valor médio aprovado para mulheres é significativamente inferior ao dos homens, limitando sua capacidade de investimento e expansão.
Por outro lado, as taxas de inadimplência entre mulheres (7,6%) e homens (7,1%) são quase idênticas, o que refuta mitos de risco elevado e evidencia um preconceito na avaliação de garantias.
Para compreender as razões desse desnível, especialistas apontam fatores diversos:
Outra saída pode ser recorrer a aval solidário ou garantia compartilhada em cooperativas, que muitas vezes oferecem condições mais flexíveis para quem não possui bens em nome próprio.
O ciclo de dificuldades se intensifica quando as empreendedoras recorrem a linhas de crédito mais caras e acabam entrando em inadimplência:
– 87% das empreendedoras já tiveram ou possuem nome negativado;
– 68% tiveram pelo menos um pedido de crédito negado;
– 35% apontam a falta de financiamento como principal barreira;
– 74% já fizeram trabalhos informais para complementar renda.
Para agravar o quadro, a negativa de crédito leva muitas a aceitar propostas com juros abusivos, alimentando um ciclo de endividamento e informalidade persistente que dificulta investimentos de longo prazo e impede a consolidação dos negócios.
Programas de renegociação de dívidas podem ajudar a limpar o nome e reduzir encargos, mas são pouco divulgados em bairros e comunidades de baixa renda.
Segundo pesquisas da Mastercard, 80% das mulheres brasileiras já consideraram empreender, mas 53% ainda não deram o primeiro passo. Entre as principais razões para essa hesitação, 37% afirmam que a falta de financiamento é o maior empecilho.
Redes de apoio como a Rede Mulher Empreendedora e iniciativas de mentoria feminina têm mostrado resultados positivos no aumento da confiança e na preparação para negociação de crédito. Ao se conectar com outras empreendedoras, muito se aprende sobre fontes de recursos e melhores práticas de gestão.
Como resposta a esse cenário, surgem iniciativas que oferecem condições diferenciadas para mulheres:
Estudos revelam que a inadimplência nesses programas costuma ser inferior a 5%, comprovando o compromisso das mulheres com o planejamento financeiro e o pagamento em dia.
Para romper as barreiras e fortalecer negócios liderados por mulheres, é fundamental adotar algumas práticas:
Outra estratégia envolve parcerias com aceleradoras de negócios e plataformas digitais que conectam pequenas empreendedoras a investidores e linhas de crédito colaborativas.
Investir em educação financeira, por meio de cursos online ou presenciais, contribui para maior confiança na hora de negociar contratos e escolher as melhores condições de financiamento.
O crédito para mulheres vai além de cifras e contratos: trata-se de promover empoderamento financeiro e autonomia sustentável, permitindo que sonhos se tornem negócios sólidos. Ao vencer obstáculos estruturais e culturais, cada empreendedora contribui para um ciclo virtuoso de desenvolvimento social e econômico.
É responsabilidade de toda a sociedade, das instituições financeiras e do poder público criar um ambiente onde o potencial feminino seja reconhecido e incentivado, garantindo que o sonho de empreender se torne uma realidade sólida e sustentável.
Ao unir esforços, informação e planejamento, o crédito pode ser a chave para um futuro de mais inclusão, prosperidade e igualdade de gênero.
Referências