Em um cenário de desafios econômicos, tornar o crédito e o investimento motores do desenvolvimento é uma tarefa que exige planejamento, inovação e coragem. Este artigo explora caminhos práticos e inspiradores para empresas e indivíduos entenderem a dinâmica financeira e aproveitarem oportunidades para fomentar o crescimento sustentável.
Nos últimos anos, o Brasil experimentou ritmos de expansão aquém do seu potencial. Entre 2015 e 2022, o país registrou crescimento médio do PIB de apenas 1% a 1,5% ao ano, insuficiente para reduzir desigualdades e garantir maior solidez fiscal. Esse patamar contrastava com projeções do FMI, que estimavam potencial de 2,5% a 3% ao ano.
Para 2025, entretanto, as expectativas começam a mudar. Projeções indicam avanço de 2% a 2,5% do PIB, com o motor do investimento no PIB ganhando protagonismo. A CNDL/FDC aponta que, em 2024, 60% do crescimento veio do consumo, mas a tendência é que, nos próximos anos, a despesa de capital seja o real propulsor da expansão.
Essa transformação ocorre em meio a um ambiente de juros elevados. A Selic atingiu patamares de 15% e, em alguns cenários, pode chegar a 17% ou 18% ao ano para controlar uma inflação perto de 5,3%. Mesmo assim, em 2024, crédito bancário cresceu 11,5% e emissão de títulos privados cresceu 30%, demonstrando o apetite por recursos e a resiliência da economia em buscar linhas de financiamento.
Nesse contexto, o desafio consiste em equilibrar a necessidade de juros altos para conter a inflação com o acesso ao crédito a custos viáveis, a fim de promover crescimento sustentável e aumento da capacidade produtiva.
O mercado de crédito brasileiro segue em expansão mesmo com taxas de juros elevadas. O crédito imobiliário representa cerca de 10% do PIB, e o governo traça metas ambiciosas: alcançar 15% a 20% nessa participação em uma década, via retomada de programas habitacionais e reforma do SFH.
Para baratear as operações, planeja-se usar 100% do estoque da poupança habitacional como mecanismo de equalização, destino de até 5% dos depósitos compulsórios a novos modelos a partir de 2025. Ao mesmo tempo, as fintechs têm ampliado seu alcance, oferecendo alternativas mais ágeis e inclusivas de empréstimo.
Entre as principais tendências projetadas para 2025, destacam-se:
Com inadimplência controlada em torno de 5,5% no total e 3% entre empresas, o espaço para expansão do crédito livre se amplia, mesmo diante de custos mais altos.
Para companhias de todos os portes, acessar capital a custo competitivo é vital. No mercado doméstico, spreads elevados podem levar o custo total do crédito a 19%–23% ao ano. Em dívidas estruturadas, como CRI e CRA, as taxas caem para 16%–19% após impostos, mas ainda pesam no fluxo de caixa em projetos intensivos em capital.
Diante disso, muitas organizações recorrem ao crédito internacional. Fundos de private credit, hedge funds e family offices oferecem condições atraentes, com custo financeiro de 6%–8% ao ano, prazos mais longos e estruturas customizadas.
As principais vantagens do crédito internacional como alternativa são:
Setores como construção civil, agronegócio, infraestrutura e indústria figuram entre os mais ativos na busca por essas fontes, equilibrando a carteira financeira e alavancando projetos de grande escala.
Não apenas empresas, mas também investidores individuais precisam desenhar trajetórias robustas de aplicação de recursos. Em um cenário de taxas elevadas e mercados voláteis, diversificar a carteira é imperativo.
Diversas opções de investimento podem compor uma estratégia sólida:
Ao combinar essas alternativas, o investidor consegue balancear riscos, prazos e retornos, aproveitando oportunidades proporcionadas por modelos de avaliação de risco mais eficientes e pela retomada gradual do ciclo econômico.
Para pessoas jurídicas, adotar políticas de cash management, pool de tesouraria e hedge de taxa de juros pode reduzir o impacto das oscilações e garantir fluxo de capital mais previsível, fortalecendo a governança financeira.
Em resumo, o Brasil está diante de uma encruzilhada: manter a austeridade monetária ou estimular o crescimento via crédito. A resposta se encontra no equilíbrio entre controle da inflação e disponibilização de recursos para projetos estruturantes.
As principais recomendações para gestores e investidores incluem mapear oportunidades de crédito local e internacional; selecionar parceiros financeiros que ofereçam inovação e agilidade; adotar ferramentas de análise de risco e inteligência de dados; revisar periodicamente a estrutura de capital e as condições de mercado; e integrar critérios ESG para atrair investidores e ampliar o espectro de funding.
Ao implementar essas estratégias, é possível criar um ciclo virtuoso, onde crédito de qualidade impulsiona projetos transformadores, gera emprego, aumenta a produtividade e distribui renda com maior equidade.
O momento exige ousadia inteligente: combinar tradição e inovação, local e global, curto e longo prazo. Assim, cada real investido se converte em alavanca para um futuro mais próspero para empresas, pessoas e para o país.
Que estas estratégias sirvam de guia e inspiração para quem busca não apenas sobreviver a desafios, mas construir um legado de desenvolvimento e bem-estar.
Referências