Assumir o papel de avalista em um empréstimo é um compromisso sério, que envolve riscos financeiros e obrigações legais. Antes de oferecer sua garantia, é essencial entender cada aspecto desse instrumento de crédito.
O aval é uma forma de garantia pessoal em operações de crédito. Nesse contrato, uma pessoa física ou jurídica, chamada avalista, assume a responsabilidade de garantir o pagamento de uma dívida caso o devedor principal não a quite.
Em geral, o aval aparece em títulos de crédito, como notas promissórias e cheques. Diferente da fiança — utilizada frequentemente em contratos de aluguel —, o aval está diretamente ligado a esses títulos, tendo natureza jurídica distinta.
É comum que o banco ou instituição financeira exija um avalista quando o tomador não possui histórico ou comprovação de renda suficiente. Financiamentos de veículos, imóveis e empréstimos pessoais costumam requisitar essa garantia.
Ao assinar como avalista, a pessoa concorda em pagar a dívida integralmente, incluindo juros, multas e encargos, caso o devedor principal não honre os compromissos.
Se ocorrer inadimplência, o credor pode acionar o avalista sem necessidade de esgotar medidas contra o devedor original, devido à solidariedade entre as partes contratantes.
A assinatura do avalista costuma constar ao lado da do devedor no próprio título de crédito, conferindo validade imediata à garantia.
Cumprir esses requisitos é fundamental para que o contrato seja aceito. A análise de perfil pode incluir consulta a bancos de dados e solicitação de documentos que comprovem patrimônio.
O avalista deve estar consciente de que sua responsabilidade é extensa e imediata. Se o devedor principal não cumprir, o credor não precisa esperar uma execução judicial contra ele para cobrar o avalista.
Assumir um aval sem conhecer a saúde financeira do devedor pode gerar impacto na capacidade de crédito e sérias consequências legais.
Apesar das obrigações, o avalista possui direitos que podem ser exercidos:
Direito de regresso: após quitar a dívida, o avalista pode cobrar judicialmente o devedor principal para reaver o valor pago.
Transparência nos comprovantes: o avalista pode exigir do credor documentação detalhada de pagamentos, juros e encargos aplicados.
Em muitos casos, o avalista ainda negocia as condições do contrato antes de assinar, buscando prazos e taxas mais favoráveis.
Para evitar surpresas, siga estas orientações:
Esses cuidados ajudam a minimizar riscos e a tomar uma decisão consciente antes de firmar o aval.
Uma vez assinado o contrato ou título de crédito, o aval já está formalizado. Em caso de inadimplência:
O credor pode executar o avalista judicialmente, requerendo penhora de bens, bloqueio de contas e leilões para satisfazer o débito.
As regras de execução seguem a legislação aplicável, como artigos da Lei de Títulos de Crédito no Brasil, ou equivalentes no código civil de outros países.
Imagine que um amigo peça um empréstimo de R$ 50.000 para expandir um negócio, mas não tenha renda suficiente. Você assina como avalista e, após 120 dias de inadimplência, é acionado pelo banco.
O valor total, com juros e multas, chega a R$ 60.000, e seu patrimônio pode ser penhorado caso não efetue o pagamento.
Esses números refletem dados de mercado e ilustram a importância de avaliar riscos antes de assumir um aval.
Para quem busca garantias sem envolver terceiros, existem outras opções:
Garantias reais: hipoteca, alienação fiduciária ou penhor, que prendem diretamente um bem ao contrato.
Seguro de crédito: protege o credor e, em alguns casos, dispensa avalistas.
Fiança: similar ao aval, mas com regras processuais e de alcance diferentes.
O aval para empréstimo é um instrumento que oferece segurança ao credor, mas transfere riscos significativos ao avalista. É um compromisso que deve ser firmado apenas com total clareza sobre direitos, deveres e possíveis consequências.
Antes de aceitar, avalie a situação financeira do devedor, compreenda o contrato e considere alternativas. A educação financeira e orientação jurídica são aliadas indispensáveis para uma decisão responsável.
Assumir um aval é, acima de tudo, um ato de confiança e responsabilidade: esteja preparado para honrar esse compromisso se necessário.
Referências