Em um cenário de mudanças profundas no sistema financeiro brasileiro, as pessoas buscam cada vez mais opções além dos grandes bancos. A ascensão de fintechs, cooperativas e novas plataformas abriu espaço para inovação e inclusão financeira, oferecendo soluções personalizadas e mais acessíveis.
Historicamente, os cinco maiores bancos (Itaú, Caixa, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) detinham cerca de 86% do mercado de crédito em 2013. Em 2025, essa participação caiu para 78%, evidenciando a força de novos atores como fintechs e cooperativas.
Além disso, o spread bancário no segmento de recursos livres reduziu-se de 14 pontos percentuais em 2016 para 9,5 p.p. em 2025. Essa queda reflete a concorrência ampliada e a oferta de condições mais atraentes para o consumidor.
No entanto, cerca de 70 milhões de brasileiros permanecem excluídos do sistema financeiro formal, recorrendo a empréstimos informais e crediários com juros abusivos. Para esse público, as alternativas ao crédito tradicional são uma tábua de salvação.
As fintechs vieram para democratizar o crédito e atender quem antes era rejeitado pelos bancos. Um exemplo emblemático é a Jeitto, que foca em clientes sem histórico bancário ou garantias reais.
Em 2024, a Jeitto faturou US$ 133 milhões, com projeção de US$ 172 milhões em 2025. A expansão inclui o marketplace Shópi Jeitto, com mais de 25 lojas parceiras, e a aquisição da Pilla, especializada em crédito consignado.
Outras empresas como Nubank, Creditas e C6 Bank também se destacam. Elas oferecem cartões sem anuidade, contas digitais remuneradas e empréstimos pessoais com avaliação de risco baseada em dados alternativos, como comportamento de consumo e histórico de pagamentos digitais.
As cooperativas, como Sicredi e Sicoob, seguem ganhando espaço com um modelo de propriedade compartilhada. Nessa estrutura, o cliente é associado e participa dos resultados.
Para micro e pequenos empresários, agricultores e moradores de cidades menores, as cooperativas representam uma alternativa estável e cooperativa, alinhada ao desenvolvimento regional.
Os chamados “super apps” e marketplaces de serviços financeiros permitem ao usuário comparar ofertas de crédito, investimentos e seguros em um só lugar. Essa centralização, definida como shopping financeiro, pressionou os spreads dos bancos tradicionais.
Plataformas como Shópi Jeitto e apps de comparação de taxas elevam a transparência e reforçam o poder de escolha do consumidor.
O Open Finance elevou a competição ao permitir que bancos, fintechs e cooperativas tenham acesso aos mesmos dados, mediante consentimento do cliente. Isso nivela o campo e reduz custos operacionais.
Com o compartilhamento de histórico financeiro, pequenas empresas de crédito podem avaliar riscos de forma tão eficaz quanto os grandes bancos, oferecendo taxas mais competitivas e produtos sob medida.
Lançado em 2020, o Pix tornou-se o principal meio de pagamento instantâneo do Brasil. Projeta-se que represente 44% do comércio eletrônico até o fim de 2025, superando as cartas de crédito.
Bancos e fintechs criaram soluções de “compre agora, pague depois” via Pix parcelado e Pix Cobrança, reduzindo custos e ampliando o acesso ao crédito de forma rápida e descomplicada.
Embora as alternativas ao crédito tradicional ofereçam vantagens claras, é essencial manter a educação financeira em dia. Juros altos em empréstimos pontuais, taxas de atraso e condições nem sempre transparentes podem gerar endividamento.
Recomenda-se:
A combinação de tecnologia, regulação e comportamento do consumidor está transformando o crédito no Brasil. Fintechs, cooperativas, marketplaces e o Pix oferecem caminhos inovadores para quem busca inclusão financeira e autonomia.
Ao explorar essas alternativas, o consumidor encontra não apenas taxas mais justas, mas também um papel ativo na escolha de soluções que melhor atendem às suas necessidades. O futuro do crédito é plural, dinâmico e cada vez mais próximo do usuário.
Referências